
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
As Pegadinhas na Língua Portuguesa.
Pegadinhas são evitáveis com atenção
Especial para o Blog.
Quem não já saiu de uma prova crente que estava abafando e, depois, ao conferir as respostas, descobriu que foi mais uma vítima desatenta e apressada das famosas "pegadinhas" do vestibular?É inacreditável como aquela sensação de vitória pode, em minutos, transformar-se num desconfortável festival de exclamações do tipo: "Nossa, como fui estúpido! Eu sabia a matéria! Como não enxerguei o óbvio?! Como pude não ter prestado atenção a detalhe tão evidente?!".É difícil afastar nesse momento a lembrança de palavras como "tonto", "irresponsável" e -a mais cruel de todas- "burro", que parecem piscar sobre a testa como anúncio luminoso.Infelizmente é uma sensação de derrota que pode prejudicar o desempenho do candidato nas provas posteriores, uma vez que traz um certo desânimo.Bom, em se tratando de vestibular, a melhor maneira de evitar esse problema é chegar ao dia do concurso devidamente preparado e prevenido para o fato de que as "pegadinhas" aparecerão.Tanto na prova de português quanto nas outras, questões com sutis diferenças entre as alternativas de respostas são significativas porque conseguem, como diz o ditado popular, "matar dois coelhos com uma só cajadada". Além de averiguar o conhecimento da matéria, elas servem para apontar o bom leitor -aquele que realmente está atento ao que lê.Muitas vezes o grau de dificuldade do conteúdo dessas questões é mínimo, mas a resposta esperada esconde-se atrás de uma malha de armadilhas que apenas o leitor muito concentrado está apto a transpor.Como o interesse agora é sobre a 1ª fase da Fuvest, que está chegando, vale avisar que a prova de português terá certamente sua cota de questões capciosas.Um exemplo bastante pertinente é a questão seis da Fuvest 1999, gerada a partir de um trecho do texto "Tuim Criado no Dedo", de Rubem Braga, centrada no período: "De todos esses periquitinhos que tem no Brasil". Pede para que seja assinalada a afirmativa incorreta.As alternativas apresentam considerações diversas a respeito da aplicação do verbo "ter". O interessante nelas é que, a princípio, todas parecem corretas. E aí? Que fazer?Primeiro passo, dobrar a atenção e partir para a investigação rumo ao erro escondido. Não é preciso ser um gramático para saber que o verbo "ter" foi empregado em lugar de "haver" e que está sendo usado com o sentido de "existir".Tal emprego caracteriza a oração em que se encontra como oração sem sujeito, o verbo herda a impessoalidade do outro ao qual está substituindo e, por isso, aparece no singular.A primeira alternativa afirma que essa utilização é típica da linguagem popular, o que é verdade -quase nenhum brasileiro anda por aí falando o verbo haver em seu dia-a-dia. A segunda alternativa simplesmente aponta para a possibilidade de ele ser substituído pela forma verbal "há", o que é absolutamente correto e adequado à norma culta.A terceira alternativa compara o emprego do verbo no período destacado com seu uso em outras passagens do texto gerador no que se refere a valor semântico. A quarta opção alerta para o caráter impessoal que o verbo adquire no contexto e assim justifica o fato de ele estar no singular.A última alternativa, incorreta, portanto a resposta esperada, afirma que pode haver substituição pela forma verbal "existe". Na prática, a afirmativa é incorreta por conta da permanência do verbo no singular.O verbo existir não é impessoal, a oração passaria a ter sujeito e o verbo teria que, obrigatoriamente, concordar com ele. No caso, seria o substantivo periquitinhos, devidamente substituído pelo pronome relativo, a forma verbal correta só poderia ser "existem". A única marca a diferenciar o certo do errado é a letra "m" no final do verbo e indicadora do plural.Para chegar a tal resposta, dois requisitos: conhecimento de sintaxe em relação a reconhecimento e classificação de tipos de sujeito e atenção, muita atenção.As "pegadinhas" do vestibular estão aí, porém não são iguais às do Faustão ou às do Gugu -não provocam risos nem têm "replay".
Especial para o Blog.
Quem não já saiu de uma prova crente que estava abafando e, depois, ao conferir as respostas, descobriu que foi mais uma vítima desatenta e apressada das famosas "pegadinhas" do vestibular?É inacreditável como aquela sensação de vitória pode, em minutos, transformar-se num desconfortável festival de exclamações do tipo: "Nossa, como fui estúpido! Eu sabia a matéria! Como não enxerguei o óbvio?! Como pude não ter prestado atenção a detalhe tão evidente?!".É difícil afastar nesse momento a lembrança de palavras como "tonto", "irresponsável" e -a mais cruel de todas- "burro", que parecem piscar sobre a testa como anúncio luminoso.Infelizmente é uma sensação de derrota que pode prejudicar o desempenho do candidato nas provas posteriores, uma vez que traz um certo desânimo.Bom, em se tratando de vestibular, a melhor maneira de evitar esse problema é chegar ao dia do concurso devidamente preparado e prevenido para o fato de que as "pegadinhas" aparecerão.Tanto na prova de português quanto nas outras, questões com sutis diferenças entre as alternativas de respostas são significativas porque conseguem, como diz o ditado popular, "matar dois coelhos com uma só cajadada". Além de averiguar o conhecimento da matéria, elas servem para apontar o bom leitor -aquele que realmente está atento ao que lê.Muitas vezes o grau de dificuldade do conteúdo dessas questões é mínimo, mas a resposta esperada esconde-se atrás de uma malha de armadilhas que apenas o leitor muito concentrado está apto a transpor.Como o interesse agora é sobre a 1ª fase da Fuvest, que está chegando, vale avisar que a prova de português terá certamente sua cota de questões capciosas.Um exemplo bastante pertinente é a questão seis da Fuvest 1999, gerada a partir de um trecho do texto "Tuim Criado no Dedo", de Rubem Braga, centrada no período: "De todos esses periquitinhos que tem no Brasil". Pede para que seja assinalada a afirmativa incorreta.As alternativas apresentam considerações diversas a respeito da aplicação do verbo "ter". O interessante nelas é que, a princípio, todas parecem corretas. E aí? Que fazer?Primeiro passo, dobrar a atenção e partir para a investigação rumo ao erro escondido. Não é preciso ser um gramático para saber que o verbo "ter" foi empregado em lugar de "haver" e que está sendo usado com o sentido de "existir".Tal emprego caracteriza a oração em que se encontra como oração sem sujeito, o verbo herda a impessoalidade do outro ao qual está substituindo e, por isso, aparece no singular.A primeira alternativa afirma que essa utilização é típica da linguagem popular, o que é verdade -quase nenhum brasileiro anda por aí falando o verbo haver em seu dia-a-dia. A segunda alternativa simplesmente aponta para a possibilidade de ele ser substituído pela forma verbal "há", o que é absolutamente correto e adequado à norma culta.A terceira alternativa compara o emprego do verbo no período destacado com seu uso em outras passagens do texto gerador no que se refere a valor semântico. A quarta opção alerta para o caráter impessoal que o verbo adquire no contexto e assim justifica o fato de ele estar no singular.A última alternativa, incorreta, portanto a resposta esperada, afirma que pode haver substituição pela forma verbal "existe". Na prática, a afirmativa é incorreta por conta da permanência do verbo no singular.O verbo existir não é impessoal, a oração passaria a ter sujeito e o verbo teria que, obrigatoriamente, concordar com ele. No caso, seria o substantivo periquitinhos, devidamente substituído pelo pronome relativo, a forma verbal correta só poderia ser "existem". A única marca a diferenciar o certo do errado é a letra "m" no final do verbo e indicadora do plural.Para chegar a tal resposta, dois requisitos: conhecimento de sintaxe em relação a reconhecimento e classificação de tipos de sujeito e atenção, muita atenção.As "pegadinhas" do vestibular estão aí, porém não são iguais às do Faustão ou às do Gugu -não provocam risos nem têm "replay".
Atenção à Reforma Ortográfica.
Reforma ortográfica
O que muda no português escrito?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 29 de setembro, o decreto que estabelece o cronograma para a vigência do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O evento aconteceu no Rio de Janeiro, em cerimônia na Academia Brasileira de Letras, durante sessão solene de celebração dos 100 anos de morte de Machado de Assis.
Veja o Guia Prático da Nova Ortografia MichaelisO acordo entra em vigor a partir de janeiro de 2009, mas as duas normas ortográficas --a atual e a prevista no acordo-- poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos até dezembro de 2012.A reforma ortográfica prevê mudanças na língua portuguesa, como o fim do trema, a supressão de consoantes mudas, novas regras para o emprego do hífen, inclusão das letras w, k e y ao idioma, além de novas regras de acentuação.A medida, segundo o MEC (Ministério da Educação), deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa.Acordos frustradosEsta não é a primeira vez que países que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) tentam estabelecer normas comuns para a ortografia do idioma. A idéia sempre foi unificar o registro escrito nos oito países que falam português: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.Segundo Domício Proença Filho, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), a ortografia da língua portuguesa tem sido preocupação de estudiosos desde o século XVI, mas somente no século XX é objeto de regulamentação. Em 1975, o acordo ortográfico, elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa, não foi aprovado por motivos de caráter político. Uma nova tentativa aconteceria em 1986, estimulada pelo acadêmico Antonio Houaiss. Pelas normas comuns definidas na época, a unificação da grafia aconteceria em 99,5% do vocabulário geral da língua. A aprovação foi impedida por reações polêmicas, segundo Proença Filho. Já em 1990, mais um novo documento é elaborado, com base nos acordos não aprovados de 1975 e 1986. O texto final, destinado a unificar a grafia de 98% do vocabulário geral do idioma, foi assinado em Lisboa por representantes das nações de Língua Portuguesa. O documento foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros. Em 1996, com a criação da CPLP, os países assinaram um protocolo modificativo do acordo, em 1998, alterando a data de vigência. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesão do Timor-Leste às normas, já que o país conquistou sua independência em 2002.
O que muda no português escrito?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 29 de setembro, o decreto que estabelece o cronograma para a vigência do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O evento aconteceu no Rio de Janeiro, em cerimônia na Academia Brasileira de Letras, durante sessão solene de celebração dos 100 anos de morte de Machado de Assis.
Veja o Guia Prático da Nova Ortografia MichaelisO acordo entra em vigor a partir de janeiro de 2009, mas as duas normas ortográficas --a atual e a prevista no acordo-- poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos até dezembro de 2012.A reforma ortográfica prevê mudanças na língua portuguesa, como o fim do trema, a supressão de consoantes mudas, novas regras para o emprego do hífen, inclusão das letras w, k e y ao idioma, além de novas regras de acentuação.A medida, segundo o MEC (Ministério da Educação), deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa.Acordos frustradosEsta não é a primeira vez que países que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) tentam estabelecer normas comuns para a ortografia do idioma. A idéia sempre foi unificar o registro escrito nos oito países que falam português: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.Segundo Domício Proença Filho, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), a ortografia da língua portuguesa tem sido preocupação de estudiosos desde o século XVI, mas somente no século XX é objeto de regulamentação. Em 1975, o acordo ortográfico, elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa, não foi aprovado por motivos de caráter político. Uma nova tentativa aconteceria em 1986, estimulada pelo acadêmico Antonio Houaiss. Pelas normas comuns definidas na época, a unificação da grafia aconteceria em 99,5% do vocabulário geral da língua. A aprovação foi impedida por reações polêmicas, segundo Proença Filho. Já em 1990, mais um novo documento é elaborado, com base nos acordos não aprovados de 1975 e 1986. O texto final, destinado a unificar a grafia de 98% do vocabulário geral do idioma, foi assinado em Lisboa por representantes das nações de Língua Portuguesa. O documento foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros. Em 1996, com a criação da CPLP, os países assinaram um protocolo modificativo do acordo, em 1998, alterando a data de vigência. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesão do Timor-Leste às normas, já que o país conquistou sua independência em 2002.
Atenção: O que vai mudar é o uso dos acentos em algumas palavras e não, a sua pronúncia. Cuidado.
Profª. Silvania.
Como Elaborar um diário de Leitura.
Português
Elaboração de um diário de leitura
Jorge Viana de Moraes
Elaboração de um diário de leitura
Jorge Viana de Moraes
O diário de leitura é, segundo Rachel Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (na obra Resenha - leitura e produção de textos técnicos e acadêmicos, Editora Parábola), uma ferramenta para a leitura crítica de textos. As autoras defendem a idéia de que, com a prática do diário de leitura, o aluno poderá ter uma atitude de leitor ativo, interativo e crítico diante dos textos, o que, segundo elas, pode ajudá-lo a ter opinião mais segura e fundamentada sobre o texto lido.
Ponto de partida
O diário de leitura não é uma atividade a ser desenvolvida exclusivamente na sala aula. Pelo contrário. Deve ser iniciada pelo professor junto aos seus alunos na sala de aula (nas aulas de leitura, por exemplo), mas deve se estender para casa, como uma prática de estudo que acompanhará o estudante pela vida escolar afora, desde o ensino fundamental até a carreira universitária.
Objetivos
1) Levar os alunos à prática da leitura crítica do texto;
2) Desenvolver nos alunos técnicas de "diálogos" com o texto lido;
3) Motivar os alunos a manterem contato com a leitura e, ao mesmo tempo, incentivar a escrita: indiscutivelmente, práticas sociais de fundamental importância no mundo contemporâneo.
Estratégias
1) Peça aos alunos que cada um providencie um caderno. Nele serão anotadas as observações, os comentários, as dúvidas, etc. acerca da leitura que farão;
2) Esclareça para eles que o "diário de leitura" não é um diário íntimo, isto é, aquele em que se escreve sobre a vida, e sim um diário reflexivo de leitura;
3) Peça aos alunos que registrem tudo: a busca de objetivos para a leitura, a expressão de dúvidas diante da leitura, reflexões sobre as dificuldades com a leitura e tentativas de compreender suas causas ou, mesmo, reflexões sobre o processo de leitura;
4) Diga para não se preocuparem com o certo ou o errado, pois tudo o que se pensar ao ler o texto deverá ser registrado;
5) Explique ao alunos que, por se tratar de uma espécie de conversa, eles não devem falar o tempo todo, mas também devem ouvir o autor do texto que está sendo lido, pois, como numa conversação, também precisamos dar voz ao nosso interlocutor;
6) Para isso, há várias ações envolvidas: falamos, escutamos, concordamos, discordamos, interferimos, perguntamos, etc. Esse movimento permite que ambos (autor do texto e aluno), falem e escutem.
Comentários
O diário de leitura não é um texto para ser entregue ao professor, pois, como o próprio nome sugere, é um diário, ou seja, um texto que apenas o aluno irá ler. Todavia, se houver a necessidade de que o texto seja entregue ao professor, uma segunda versão deverá ser elaborada, verificando se há alguma informação que o aluno prefira omitir, se ele deseja rever suas posições, ou mesmo melhorar o texto, não se esquecendo de que, pelo fato de entregar ao professor, o caderno deixa de ser um diário.
Seguem abaixo, com pequenas adaptações, algumas instruções, dadas pelas autoras do livro, para a elaboração de um diário de leitura:
Instruções para elaboração do diário de leitura
1. Observe o título do texto e registre no seu diário:- suas impressões: gostou ou não?- tem vontade de ler?- que tipo de texto espera encontrar? Sobre o que você acha que o texto trata?
2. Antes de iniciar a leitura, observe todas as informações - (verbais ou não-verbais) - que podem ajudá-lo a melhor compreender o texto: a última capa, a orelha, as notas sobre o autor, a bibliografia (se houver), o índice, etc. Anote tudo o que você julgar importante e as idéias que você for tendo a respeito do texto a ser lido.
3. À medida que você for lendo, vá registrando (sempre com frases completas):
a) as relações que você puder ir estabelecendo entre os conteúdos do texto e qualquer outro tipo de conhecimento que você já tenha (livros ou textos que já leu, aulas, músicas, filmes, sua experiência de vida, etc.).b) as contribuições que julga que o texto está trazendo para: qualquer tipo de aprendizado, o desenvolvimento de sua prática de leitura, o desenvolvimento de produção de textos, algum trabalho que vai realizar, etc.c) sua opinião sobre o texto, sobre sua forma e seu conteúdo: vá discutindo as idéias do autor (concordando ou discordando, levantando dúvidas)d) vá registrando as dificuldades de leitura que encontrar e anotando os trechos que não compreender ou aqueles de que mais gostar.
4) Sempre justifique suas opiniões!
*Jorge Viana de Moraes é professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras. Atualmente, mestrando em Língua Portuguesa e Filologia pela Universidade de São Paulo.
Ponto de partida
O diário de leitura não é uma atividade a ser desenvolvida exclusivamente na sala aula. Pelo contrário. Deve ser iniciada pelo professor junto aos seus alunos na sala de aula (nas aulas de leitura, por exemplo), mas deve se estender para casa, como uma prática de estudo que acompanhará o estudante pela vida escolar afora, desde o ensino fundamental até a carreira universitária.
Objetivos
1) Levar os alunos à prática da leitura crítica do texto;
2) Desenvolver nos alunos técnicas de "diálogos" com o texto lido;
3) Motivar os alunos a manterem contato com a leitura e, ao mesmo tempo, incentivar a escrita: indiscutivelmente, práticas sociais de fundamental importância no mundo contemporâneo.
Estratégias
1) Peça aos alunos que cada um providencie um caderno. Nele serão anotadas as observações, os comentários, as dúvidas, etc. acerca da leitura que farão;
2) Esclareça para eles que o "diário de leitura" não é um diário íntimo, isto é, aquele em que se escreve sobre a vida, e sim um diário reflexivo de leitura;
3) Peça aos alunos que registrem tudo: a busca de objetivos para a leitura, a expressão de dúvidas diante da leitura, reflexões sobre as dificuldades com a leitura e tentativas de compreender suas causas ou, mesmo, reflexões sobre o processo de leitura;
4) Diga para não se preocuparem com o certo ou o errado, pois tudo o que se pensar ao ler o texto deverá ser registrado;
5) Explique ao alunos que, por se tratar de uma espécie de conversa, eles não devem falar o tempo todo, mas também devem ouvir o autor do texto que está sendo lido, pois, como numa conversação, também precisamos dar voz ao nosso interlocutor;
6) Para isso, há várias ações envolvidas: falamos, escutamos, concordamos, discordamos, interferimos, perguntamos, etc. Esse movimento permite que ambos (autor do texto e aluno), falem e escutem.
Comentários
O diário de leitura não é um texto para ser entregue ao professor, pois, como o próprio nome sugere, é um diário, ou seja, um texto que apenas o aluno irá ler. Todavia, se houver a necessidade de que o texto seja entregue ao professor, uma segunda versão deverá ser elaborada, verificando se há alguma informação que o aluno prefira omitir, se ele deseja rever suas posições, ou mesmo melhorar o texto, não se esquecendo de que, pelo fato de entregar ao professor, o caderno deixa de ser um diário.
Seguem abaixo, com pequenas adaptações, algumas instruções, dadas pelas autoras do livro, para a elaboração de um diário de leitura:
Instruções para elaboração do diário de leitura
1. Observe o título do texto e registre no seu diário:- suas impressões: gostou ou não?- tem vontade de ler?- que tipo de texto espera encontrar? Sobre o que você acha que o texto trata?
2. Antes de iniciar a leitura, observe todas as informações - (verbais ou não-verbais) - que podem ajudá-lo a melhor compreender o texto: a última capa, a orelha, as notas sobre o autor, a bibliografia (se houver), o índice, etc. Anote tudo o que você julgar importante e as idéias que você for tendo a respeito do texto a ser lido.
3. À medida que você for lendo, vá registrando (sempre com frases completas):
a) as relações que você puder ir estabelecendo entre os conteúdos do texto e qualquer outro tipo de conhecimento que você já tenha (livros ou textos que já leu, aulas, músicas, filmes, sua experiência de vida, etc.).b) as contribuições que julga que o texto está trazendo para: qualquer tipo de aprendizado, o desenvolvimento de sua prática de leitura, o desenvolvimento de produção de textos, algum trabalho que vai realizar, etc.c) sua opinião sobre o texto, sobre sua forma e seu conteúdo: vá discutindo as idéias do autor (concordando ou discordando, levantando dúvidas)d) vá registrando as dificuldades de leitura que encontrar e anotando os trechos que não compreender ou aqueles de que mais gostar.
4) Sempre justifique suas opiniões!
*Jorge Viana de Moraes é professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras. Atualmente, mestrando em Língua Portuguesa e Filologia pela Universidade de São Paulo.
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